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Procedimento é mais simples e tem custo quatro vezes mais baixo
Pesquisadores do
Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia
(Coppe) e do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) estão desenvolvendo um novo teste capaz de detectar em
minutos anticorpos em pessoas com suspeita de contaminação pelo novo
coronavírus. Além de mais rápido, o teste é mais simples e tem custo
quatro vezes mais baixo do que o teste PCR (teste de proteína C reativa)
que vem sendo aplicado atualmente.
O novo teste está sendo desenvolvido por
pesquisadores do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC)
da Coppe/UFRJ, sob a coordenação a professora Leda Castilho; e do
Laboratório Virologia Molecular (LVM) do Instituto de Biologia, sob a
coordenação dos professores Amilcar Tanuri e Orlando Ferreira.
Falando nesta segunda-feira (23/03/2020) à Agência Brasil, Leda
Castilho explicou que está sendo produzido no LECC da Coppe um ensaio
Elisa (sigla do nome em inglês 'Enzyme-Linked Immunosorbent Assay'), uma
cópia da proteína das pontas do vírus, conhecidas como espículas, que
permite a detecção de anticorpos específicos. Este teste é usado no
diagnóstico de várias doenças que induzem a produção de imunoglobulinas,
entre outras.
Amostra de pessoas que testaram positivo ou
negativo para o PCR já estão sendo coletadas para poder validar o teste.
“O sistema imunológico das pessoas que foram infectadas com o vírus
produzem anticorpos contra o vírus. Então, você, com uma gotinha de
sangue da pessoa, consegue ver se o sangue tem anticorpos do vírus. Se
tiver, vai reagir com a proteína do vírus que a gente está produzindo no
nosso laboratório”, indicou Leda Castilho. Disse que, havendo a reação,
é porque a pessoa está positiva para o coronavírus, porque ela tem
anticorpos anticoronavírus no seu sangue.
Resultados
Os primeiros testes estão sendo iniciados já
nesta semana. A professora espera ter resultados conclusivos em cerca
de 30 ou 40 dias.Além da questão do custo menor, o teste sorológico tem
outra grande vantagem, que é a rapidez. “O teste é mais rápido e você
consegue também mais rapidez porque não tem filas”.
O teste que detecta anticorpos é chamado
ensaio sorológico e pode ser em dois formatos. Um dos deles é o Elisa. O
outro formato é o do teste rápido. Trata-se de um dispositivo de
plástico com um papel cromatográfico dentro onde está a proteína do
vírus produzida pelo LECC da Coppe. “No formato teste rápido, ele ainda
tem a vantagem de que pode ser realizado em qualquer lugar e a resposta
sai em minutos. Além do custo, que é quatro vezes mais barato para o
teste sorológico em relação ao teste PCR, o teste PCR dá resposta em
alguns dias. Com o teste sorológico no formato Elisa, a expectativa é de
algumas horas até receber o resultado. Já no formato do teste rápido, a
expectativa é ter o resultado em alguns minutos.
Segundo a coordenadora do novo teste na
Coppe, foi feito um projeto para o Comitê de Ética do Hospital
Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Desde a semana passada, a
universidade montou um sistema de coleta de amostras e testagem ainda
por PCR dos profissionais que atuam nos seus hospitais. “Com pequenos
sintomas, a gente já retira do hospital, mas é importante que faça o
teste porque, se der negativo, significa que ele está com o vírus da
gripe e não com coronavírus. Ele pode retornar mais rapidamente ao
trabalho e não desfalcar a força de trabalho”.
Triagem e coleta
Para todos os profissionais da área de saúde
da universidade que atuam diretamente no atendimento a pacientes nos
hospitais, foi montada uma estrutura de triagem e coleta de amostras
para o teste PCR, utilizando-se secreções nasofaríngeas, que é o
material usado para PCR. A partir desta semana, os pesquisadores do LEEC
e do LVM vão coletar também amostras de sangue dessas pessoas. Assim,
serão fornecidos resultados pelo teste PCR e pelo novo teste sorológico,
para comparar se são positivos ou negativos por ambos.
Em paralelo, os pesquisadores da Coppe e do
Instituto de Biologia da UFRJ estão buscando parceiros na indústria para
o novo teste sorológico. Leda destacou que algumas empresas já produzem
no país 'kits' diagnósticos, para tentar o mais rápido possível já ter
isso produzido industrialmente e sendo fornecido. A testagem maciça e o
isolamento imediato de quem testar positivo foi a chave descoberta na
Coreia para para frear a epidemia que, no início, estava descontrolada,
disse a pesquisadora.
Exportação
Leda Castilho ressaltou a importância ainda
de desenvolver um teste nacional porque o mundo inteiro está querendo
comprar. “E tendo uma produção nacional, um desenvolvimento de uma
universidade, transferindo para uma empresa nacional, a gente garante
que esse teste não vai faltar”. Pode ser transferido para produção em
diferentes empresas e, inclusive, em empresas públicas vinculadas ao
Ministério da Saúde. Os pesquisadores esperam fortemente que o
desenvolvimento desse teste possibilite a garantia de disponibilidade de
um número enorme de testes, para poder testar um percentual muito
grande da população brasileira.
Leda Castilho observou que o primeiro óbito
por coronavírus ocorreu em São Paulo, mas o resultado só saiu no dia
seguinte, após a morte do paciente. Segundo ela, isso é bem ilustrativo
de que, no momento atual, já existe congestionamento. “E a gente está no
início de uma crise, que vai ficar muito pior”.
Edição: Bruna Saniele. Publicado em 23/03/2020 - 19:10.
Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Fonte: Agência Brasil
POSTADO POR: REPÓRTER, RADIALISTA E BLOGUEIRO PAULO MACIEL, DE
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