Em sua 227ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 4,50% a.a.
A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:
Dados
de atividade econômica a partir do segundo trimestre indicam que o
processo de recuperação da economia brasileira ganhou tração, em relação
ao observado até o primeiro trimestre de 2019. O cenário do Copom supõe
que essa recuperação seguirá em ritmo gradual;
No
cenário externo, a provisão de estímulos monetários nas principais
economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo
das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável
para economias emergentes;
O Comitê
avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em
níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo
econômico e à política monetária;
As
expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela
pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,8%, 3,6%, 3,75% e 3,5%,
respectivamente;
No cenário com
trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus,
as projeções do Copom situam-se em torno de 4,0% para 2019, 3,5% para
2020 e 3,4% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que
encerra 2019 em 4,50% a.a., reduz-se para 4,25% no início de 2020,
encerra o ano em 4,50% e se eleva até 6,25% a.a. em 2021. Também supõe
trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$4,15/US$, 2020 em
R$4,10/US$ e 2021 em R$4,00/US$; e
No
cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,20/US$* e trajetória
de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 4,0% para
2019, 3,7% para 2020 e 3,7% para 2021.
O
Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem
fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de
ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva
abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) o atual grau de estímulo
monetário, que atua com defasagens sobre a economia, em um contexto de
transformações na intermediação financeira, aumenta a incerteza sobre os
canais de transmissão e pode elevar a trajetória da inflação no
horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se
intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para
economias emergentes ou (iv) eventual frustração em relação à
continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na
economia brasileira.
Considerando o
cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações
disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa
básica de juros para 4,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão
reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação
prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no
horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o
ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021.
O
Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária
estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
O
Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na
economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse
processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de
juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê
ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas
afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
O
Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela
na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos
passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do
balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.
Votaram
por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira
Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis
Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de
Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio
Neves de Souza.
*Valor
obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de
câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira
anterior à reunião do Copom.
Fonte: Site do BCBPOSTADO POR repórter, radialista e blogueiro Paulo Maciel, de Colatina/ES, nos endereços da web: reporterpaulomaciel.blogspot.com e www.facebook.com/paulomacieldaradio (11/12/2019)
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